…e se fosses Pessoa #02
Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem… Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?
Fernando Pessoa
February 25th, 2007 at 22:35
Oi lindo!
Vou registar esse poema…tal como Pessoa é dual, tem duas interpretações, não fosse ele um bom geminiano, com múltiplas personalidades, numa divisão do espirito permanente.
Se o interpretarmos de forma superficial, poderemos cair no erro de achar que nos fala de uma sua preferencia pessoal por alguém em particular, mas para os mais atentos, o lado espiritualmente mais evoluido de pessoa é claramente aquilo que nos mostra e que nos expressa…a dualidade do Ser que nasce dividido e que vive multiplas vidas numa dolorosa busca pela sua metade perdida.
Curiosamente não se refere a ninguém exterior a nós proprios, mas sim ao nosso outro lado, não o Ego, mas o espírito. Nascemos com a ideia que estamos sós e divididos…mas não estamos! essa ilusão é suposto servir de pista para a busca do nosso caminho, ou se preferires da nossa busca espiritual…o que andamos cá a fazer, quem somos e de onde vimos??? o eterno misterio do Homem…
Só por curiosidade Pessoa cedo percebeu que a Terra e o Céu são um só, é tudo uma questão de opção…viver no R/C ou no 1º andar, a vista que temos lá de fora é a única coisa que muda!
Um beijo grande e continua na tua busca, vemo-nos mais uma vez daqui a outra eternidade!